Quem tem boca vai à Roma

Há quem diga que o ditado original seria “Quem tem boca vaia Roma”. Pode até ser

Anúncio da série pela HBO

verdade, mas quem assistiu a série Rome (ou Roma, no Brasil) não tem nada para vaiar. A série de televisão estadunidense criada por Bruno Heller  que retrata um drama histórico, foi produzida na Itália pela redes de televisão BBC, do Reino Unido, HBO, dos Estados Unidos, e RAI, da própria Itália. Foi transmitida originalmente entre 28 de agosto de 2005 e 25 de março de 2007. Roma ganhou quatro Prêmios Emmy de oito indicações em 2006.

A série se passa em 52 a.C., quando o general romano Júlio César batalha pelo poder de Roma contra o cônsul Pompeu Magno, que representa a luta entre o povo, que apoia César, e os patrícios, que apoiam Pompeu. César  tenta transformar a República Romana em um Império.

Ciarán Hinds, que interpresta Júlio César na série.

A série nos envolve também com personagens secundários como os legionários Lúcio Voreno e Tito Pullo, que aparecem realmente em citações sobre a época em registros históricos.

A série é rodada nas proximidades da atual cidade e nos antigos estúdios de Cinecittà, em uma superfície de mais de 20.000 metros quadrados, com a participação de 350 pessoas. É a série mais cara da história da televisão, com um gasto de cem milhões de dólares.

Apesar de certos desvios dos acontecimentos históricos e da ordem cronológica dos

Cenário da cidade de Roma.

mesmo, a série e muito boa principalmente pelas suas referencias históricas e sua atenção a detalhes da cultura romana, que por exemplo, conta com várias cenas quentes e desenhos obscenos que exploram a promiscuidade do povo romano não retratadas em outras produções.

Para quem não gosta de séries com milhões e milhões de temporadas vai gostar de saber que Roma conta apenas com duas, apesar de cada episódio durar aproximadamente 50 minutos.

Para quem está entrando de férias, é uma ótima maneira de passar o tempo. Eu recomendo!


A Pele que Habito

Fui assistir esse filme ontem no Cinemark do Higienópolis. Não vou me prolongar sobre o que achei. A ideia geral fica pelas três impressões que se descolaram de mim e de duas amigas que foram comigo. A melhor sacada pra mim foi a da Jé, que comentou sobre como a gente ria em horas inesperadas, resultado desse reino do gênero incerto sobre o qual Almodóvar transita tão bem. A Má se surpreendeu com a Vera, personagem interpretada por Elena Ayala. Também vale destacar a atuação do Antonio Banderas, mais uma ótima direção de atores. E eu fiquei impressionada pela forma como a chave do filme é revelada por uma simples sobreposição. Para mim, Almodóvar nunca manipulou as imagens tão bem.

Almodóvar e Elena Alaya

Mas como o post é sobre referências, vamos a elas.

Almodóvar diz ter baseado seu roteiro no livro de Thierry Jonquet.
Porém, para quem gosta de filme de terror, fica difícil de não lembrar de Eyes Without a Face, de Georges Franju. A semelhança aparece logo na sinopse. O médico, motivado por amor e culpa, busca sem escrúpulos, produzir a pele perfeita. Os filmes também se parecem nas cenas aflitivas sobre a mesa de operação, sem precisar apelar para grandes derramamentos de sangue.

 

Ainda assim, a referência que mais se destaca, na minha humble opinion, é à Louise Bourgeois, artista que morreu ano passado, aos 98 anos. No filme, a personagem Vera observa um livro de suas obras, que serve de inspiração para suas próprias.

Uma de suas obras que aparece no filme 

Ao observá-las, não posso deixar de sentir algo de cruel e desconfortante, balanceado por um certo apelo estético que hipnotiza. Vale a pena fuçar o Google para ver mais obras. À primeira vista elas parecem cruas, duras, mas ao mesmo tempo, a partir do nosso olhar, se tornam viscerais.

Louise Bourgeois por Robert Mapplethorpe, 1982

A risada que vem do inesperado.
Lembra alguém?

Shakespeare, O Bêbado

Estreiou na última sexta feira nos Estados Unidos o novo filme do diretor Roland Emmerich, gerando uma baita polêmica.

Anonymous parte da ideia de que William Shakespeare seria bêbado e analfabeto, não sendo o verdadeiro escritor das peças que lhe foram atribuídas.

Essa idéia, que tem sido recebida como absurda pela maioria dos ingleses, não é criação do diretor. Há algum tempo surgiram teorias de alguns estudiosos que afirmam que Shakespeare não é o escritor de Hamlet, Romeu e Julieta, ou de qualquer outra peça.

Uma das reações mais enfurecidas veio da Shakespeare Birthplace, que disponibilizou gratuitamente em seu blog um livro que dá o troco na teoria sustentada pelo filme. Seu co-autor, Paul Edmonson, afirma que a obra contém provas suficientes da autoria de Shakespeare.

A idéia de que Shakespeare não escreveu suas peças é mais uma na estante das teorias da conspiração. Ainda assim, não é segredo que Shakespeare sabia apreciar uma boa cerveja. Seu pai, inclusive, era um degustador oficial – profissão louvável na época.

Pra quem acha que ele não é o autor das famosas palavras “To be or not to be, that’s the question”, fica a sugestão da camiseta:

E pra quem, como Shakespeare, curtia uma cerveja, também.

Um brinde!

Batman: Ano Um & Batman de Christopher Nolan

Batman: Ano Um (também originalmente chamado Ano Um) é um quadrinho de 1987 escrito por Frank Miller e ilustrado por David Mazzucchelli, em que é contada a história de Bruce Wayne desde seu início, junto à trama de Jim Gordon e seu surgimento.

Capa da nova reedição de Batman: Ano Um

No quadrinho vemos Bruce Wayne treinando no exterior e voltando a Gotham City, deparando-se com todos os crimes e corrupção que tomaram conta da cidade. Paralelamente o policial Jim Gordon é transferido de Chicago para Gotham, e vivencia na pele a corrupção não só de quem está fora, mas também daqueles que estão dentro da polícia. Acompanhamos então a transformação de Bruce em Batman, seu desejo por vingança e de livrar Gotham de seus males, e da ascenção de Gordon dentro da polícia, até e seu encontro devido a um novo criminoso na cidade: O Coringa.

Heath Legder como o vilão psicopata Coringa, na versão de Christopher Nolan para o cinema

Parece familiar?

Para aqueles que assistiram ao Batman: Begins e O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, deve soar muito familiar. A sequência (em breve trilogia) de Nolan conta com uma trama e pretexto muito parecidos: recontar a origem do Batman e Gordon, partindo de um contexto mais realista e humano. E esta ideia foi muito celebrada nas duas situações.

O diretor Christopher Nolan

Em entrevistas Nolan declarou que bebeu muito dessa obra para a concepção do que ele queria fazer com o personagem e sua jornada. E ficamos felizes por isso (principalmente depois de vermos tantos fracassos em cima da série… nem preciso falar nada).

Batman: Ano Um já recebeu várias reedições, a mais recente da Panini em uma edição de luxo, com mais de 40 páginas extras, podendo ser comprada aqui. Também foi feito um longa metragem animado que foi direto para venda, recebendo ótimas críticas.

É sempre bom vermos pessoas competentes trabalhando com vontade em algo que gostamos, e tanto Batman: Ano Um quanto a trilogia de Nolan merecem muito respeito por seu esforço (e sucesso!!).

Marvel Comics faz alusão à Guerra Fria

Você já ouviu falar da editora de qudrinhos Marvel Comics? E sobre a Guerra Fria?! Pois é, e elas podem estar mais ligadas do que a gente pensa!

Foi durante a Guerra Fria que uma nova onde de super-heróis surgiu nos gibis norte-americanos, especialmente nos da Marvel Comics. E você com certeza conhece pois muitos personagens foram adaptados para o cinema nos últimos anos. Dentre essas podemos destacar o Homem-Aranha, o Hulk, os X-Men, o Quarteto Fantástico, entre outros.

Primeiro Gibi "O Quarteto Fantástico"

E a relação delas com a Guerra Fria é grande. Embora sejam fictícias e tenham sido criadas apenas para entretenimento, seus criadores se inspiraram na época que viviam. Por exemplo o Quarteto Fantástico, o primeiro gibi da Marvel em que o escritor-editor Stan Lee fez parceria com o desenhista Jack Kirby foi publicado em novembro de 1961 – ou seja, poucos meses depois de o cosmonauta soviético Yuri Gagarin ter-se tornado o primeiro ser humano a viajar para o espaço, realizando um vôo orbital (12 de abril de 1961), e quase uma década antes de o astronauta norte-americano Neil Armstrong ter sido o primeiro homem a pisar na Lua (20 de julho de 1969). Assim, o Quarteto Fantástico foi lançado na mesma época em que os EUA e a URSS disputavam a corrida espacial.

Em o Quarteto Fantático, no início da história, pouco antes de os quatro futuros heróis viajarem para o espaço, a narração menciona que os EUA estão numa “corrida espacial” com “uma potência estrangeira”. Claro que a tal “potência estrangeira” era a URSS, mas, eles preferiam não dar nomes quando se referiam aos “inimigos da América”.

Doutor Destino

Mas a corrida espacial não é a única alusão à Guerra Fria que encontramos nos primeiros gibis do Quarteto Fantástico. O principal inimigo do Quarteto era o Doutor Destino, que governava literalmente com mãos de ferro um pequeno país do Leste Europeu, bem na região onde se concentravam os países do bloco socialista. Na tradução feita no Brasil, o nome dado ao país era “Latvéria”, o que se poderia concluir que se tratava de uma terra imaginária. Mas, no original, o nome era “Latvia” – cuja tradução para o português é Letônia, na época uma das repúblicas que compunham a URSS. E o visual do vilão, com sua armadura de ferro, pode ser referência à “Cortina de Ferro”, a expressão popularizada pelo ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill para se referir aos países da Europa oriental que ficaram sob influência da URSS após a Segunda Guerra Mundial.

Cinema em Fotos Animadas

O referências de hoje é sobre o mix de foto e cinema que tá virando hit na internet.

O blog if we don’t, remember me é interamente dedicado a tornar fotos de cenas famosas do cinema em pequenos movimentos, de Psicose  ao show de Truman, as imagens mais marcantes do cinema em gifs animados!

Vale a pena conferir todos!!

http://iwdrm.tumblr.com/

Elsa, Fred e Fellini

O cinema imita a vida. A vida imita o cinema.

E ambos são apaixonados pelo cinema…

O filme Elsa e Fred  é sobre um casal que se une aos 80 anos, a história é sobre o amor, mas muito menos de um pelo outro mas pelo amor dos dois ao cinema.

Federico Fellini é a grande referência do filme,embora o título possa lembrar Ginger e Fred é com A Doce Vida que o cineasta constrói o dialogo com Fellini.

Elsa guarda na sala de sua casa a foto de Anita Ekberg na Fontana di Trevi. Seu sonho é refazer o caminho de Anitona, 50 anos depois, e isso ela vai fazer graças a Fred.

A cena mais bonita do filme acontece um pouco antes disso  quando Federico Luppi, numa participação especial, como o ex-marido, vai visitar Fred para alertá-lo sobre o risco representado por Elsa. Traído e abandonado por Elsa, sente-se ressentido e conta a Fred que ela vive no mundo da fantasia, não passando de uma mentirosa. Uma linda referencia a Fellini, que dizia ser um mentiroso sincero, fez uma autobiografia inventada.

Se você se encanta com o Fellini  como Elsa, Fred e eu, assista Elsa e Fred, mas, cuidado pra nao querer ser Anitona na Fontana di Trevi!