A Pele que Habito

Fui assistir esse filme ontem no Cinemark do Higienópolis. Não vou me prolongar sobre o que achei. A ideia geral fica pelas três impressões que se descolaram de mim e de duas amigas que foram comigo. A melhor sacada pra mim foi a da Jé, que comentou sobre como a gente ria em horas inesperadas, resultado desse reino do gênero incerto sobre o qual Almodóvar transita tão bem. A Má se surpreendeu com a Vera, personagem interpretada por Elena Ayala. Também vale destacar a atuação do Antonio Banderas, mais uma ótima direção de atores. E eu fiquei impressionada pela forma como a chave do filme é revelada por uma simples sobreposição. Para mim, Almodóvar nunca manipulou as imagens tão bem.

Almodóvar e Elena Alaya

Mas como o post é sobre referências, vamos a elas.

Almodóvar diz ter baseado seu roteiro no livro de Thierry Jonquet.
Porém, para quem gosta de filme de terror, fica difícil de não lembrar de Eyes Without a Face, de Georges Franju. A semelhança aparece logo na sinopse. O médico, motivado por amor e culpa, busca sem escrúpulos, produzir a pele perfeita. Os filmes também se parecem nas cenas aflitivas sobre a mesa de operação, sem precisar apelar para grandes derramamentos de sangue.

 

Ainda assim, a referência que mais se destaca, na minha humble opinion, é à Louise Bourgeois, artista que morreu ano passado, aos 98 anos. No filme, a personagem Vera observa um livro de suas obras, que serve de inspiração para suas próprias.

Uma de suas obras que aparece no filme 

Ao observá-las, não posso deixar de sentir algo de cruel e desconfortante, balanceado por um certo apelo estético que hipnotiza. Vale a pena fuçar o Google para ver mais obras. À primeira vista elas parecem cruas, duras, mas ao mesmo tempo, a partir do nosso olhar, se tornam viscerais.

Louise Bourgeois por Robert Mapplethorpe, 1982

A risada que vem do inesperado.
Lembra alguém?

Anúncios

3 respostas em “A Pele que Habito

  1. Achei que o filme estava cheio de referências, da classica o medico e o mostro (Dr.Jekyll, Mr.Hyde) ao nosso Caetano (Uma tigreza de unha negras…..), vale a pena uma segunda parte….
    Aguardo ansiosamente….

    • Realmente, tem mais referências para serem exploradas. Sobre a tigreza de unhas negras, por exemplo, eu não tinha percebido… Mas a gente sabe como o Almodovar gosta do caetano! Gostei da ideia de fazer uma segunda parte

  2. Almodóvar é um cineasta único. Se você liga a tv e está passando uma cena de um filme dele dá pra reconhecer na hora. muito característico.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s