Kubrick às Avessas

A música sempre ocupa um espaço importantíssimo em filmes, novelas, seriados e comerciais. Na verdade, eu penso que qualquer arte audiovisual que se preze, precisa ter uma trilha sonora que a complete perfeitamente.

A linguagem musical é tão rica que com ela, o diretor e o sonoplasta podem passar muitas informações que não estão presentes no texto ou na imagem, e muitas vezes, pode até modificar o sentido de uma cena. Você, alguma vez, estava assistindo à um filme, novela ou qualquer coisa do gênero e se deparou com uma música que na sua opinião – e com certeza, na de muitos – não se encaixava no contexto?

Esse desencontro que acontece, muitas vezes nem é percebido pelo telespectador. E em alguns casos, o filme é tão bom, que isso passa batido.

Um exemplo disso é o filme: O Iluminado –  de Stanley Kubrick.

DVD

Nesse caso, a música conta o filme às avessas e até o sonoplasta muito bem conceituado, Júlio Medaglia, cita Kubrick nesse sentido, falando desse filme .

Veja o trailer:

A história resumida é mais ou menos assim: O personagem principal (Jack Nicholson) é contratado para ser guarda de um hotel durante o inverno que era de difícil acesso nessa época do ano porque ficava no topo de uma montanha e a neve chegava a envolver todo o edifício. O gerente do hotel diz que o isolamento de Nicholson iria ser absoluto, e que algumas pessoas até acreditavam que nesse período o hotel era possuído por fantasmas, mas o personagem não acredita e aceita dizendo que ficar isolado seria bom para escrever seu livro. Até a metade do filme, a história flui normalmente, mas a partir de um certo momento, Kubrick genialmente cria um tom expressionista no comportamento das personagens e no modo de filmar o hotel. A loucura se confunde com a realidade de tal maneira que fica claro que os fantasmas possuíram o recinto e a alma do indivíduo. Mas, até chegar nessa parte, o filme é bem sereno, e até meio calmo. Porém, esse clima fantasmagórico e assustador que Kubrick guarda para se desencadear em um momento especial e específico já aparece desde o início do filme através da trilha sonora escolhida. Na cena em que o Volkswagen do personagem sobe a montanha em uma linda paisagem de fundo, a música que é colocada massacra a cena de tal maneira que parece que algo horrível está apara acontecer, mas nada acontece. A consequência disso é que quando se inicia a fase expressionista da história, não há nenhuma alteração da linguagem sonora, que veio desde o começo do filme com o tom de “suspense trágico”.

A música se limitou em uma única função, e isso empobreceu a variedade de alterações que o filme poderia passar para o telespectador, que seria capaz de mudar várias vezes passando por estados diferentes de sentido.

Essa percepção das músicas no audiovisual, sempre gera discussões interessante de opiniões e visões diferentes. O que você acha?

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9 respostas em “Kubrick às Avessas

  1. Concordo plenamente com o que disse sobre linguagem musical. Você deu o melhor exemplo disso. (no meu ponto de vista.)

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